18 de junho de 2012

Se tu quiseres...voltaremos a ter!

Há quantos dias que partiste
E ainda faltam
não sei quantos para chegares.
Em nossa casa tudo anda triste
e contam
com ansiedade, os dias p'ra voltares.

Nossos filhos
tão pequeninos! A toda a hora
Lembram o pai que vai trabalhando
por aí fora!
E com saudades,
falam de ti a todo o instante,
e teu retrato vão beijando
em ardor constante.

O mais velhinho,
Oh! Coitadinho, nem quer lembrar
Se o paizinho estará bem,
Sempre a pensar!?
E a pequenina,
viva e ladina com que tormento,
Fala do pai e o pai só tem
no pensamento!

Por mim, não sei...!?
Qual a diferença que tu achaste,
nesta ausência?
Apenas sei!
Que sempre me lembraste,
tua presença!

Se deus quiser, quando vieres,
voltaremos a ter!
Paz e união que ultimamente,
estavam a morrer!...
Se tu quiseres?!



14 de junho de 2012

Fechado na solidão

Sentado num banco de jardim
Vejo passar em redor a multidão
Da gente que pulula na cidade,
Num vai-vem constante!
Uns felizes falam com o companheiro do lado,
Outros calados seguem seu destino.
Além está sentado um pobre velho libertino.
Aqui uma criança brinca e salta p'lo jardim.
E penso...
Como adivinhar das suas mentes,
Os seus anseios e os seus pensamentos?
Como vislumbrar através da solidão
Se aquele sofre, quando ri e está alegre!?
Quando o outro diz (e não é) que é feliz!?
Quantas coisas passam junto a nós despercebidas.
Da nossa parte nem tentamos
Procurá-las. É preciso ter,
Sentir coragem de encarar
Que aquela que passa junto a nós
Não mais se vê.
Vive e sofre e ri e nem sabemos se é feliz.
Que importa afinal
Se o mal nem nosso é?
Quero sorvê-los tal qual são.
Tristes ou alegres, os que passam lado a lado
E mesmo os que vivem fechados na solidão.



16 de maio de 2012

Na sala de espera...

Entrei,
Sentei-me e folhei um livro,
Embrenhei-me na leitura e esqueci-me
de que esperava.
À minha volta ouvia como que
Em longínquas paragens um marulhar.
(cheiro de tabaco)
Pousei o livro e quedei-me a escutar.
(cusquice!!)
À direita uma mãe contava
Os pormenores duma doença,
Noutro lado outra que falava
Dos exames dos filhos e eu sei lá...
Só falavam e a cabei por pensar.
Afinal eu é que estava errado,
Pois que ali aproveitavam esta espera
Para trocarem umas palavras.
E assim passavam aquelas horas de espera.
Da espera enfadonha que não mais
Acabava, e eu fechado, isolado, só.
Ouvia e analisava.
De todos os doentes que ali estavam
Só eu metia dó, só eu perdi a fala....
E quantos amigos dissimulei
À espera, naquela sala.


10 de abril de 2012

Serás sempre criança

Rua fora lá vais,
Rapidamente apressada
E como te atrais
A olhar a criançada.

Nostalgia enfadonha
Que te deixa combalida,
Que te deixa com vergonha
Da tua vida perdida.

Tens rasgos de memória
De um passado que te afronta
E perdeste-te na história
Como uma criança tonta.

Mas não percas a fé
Se criança já não és,
Mesmo o ínfimo clichet
Vai e vem com as marés.

Assim poderás continuar
Sem perder a esperança.
Com o passado a pairar
Serás sempre criança!


1 de fevereiro de 2012

Ganho cor


Irreverentes corpos,
Diabolicamente certos,
Retornam em tons cinzentos
Aos lugares que são seus.
E tristemente
Coçam o rosto cansado,
Que dia a dia vai-se desgastando.
Múltiplos suspiros
Ecoam no regresso laboral,
Que enchem os ouvidos de
Repetições saturantes.
«Não era como dantes!»
Queixa-se a senhora curvada
Pelo ouro que suporta.
Mas queixar ironicamente ao outro,
Provoca comichão.
Cocei-me...
Cocei-me...
Cocei-me...
E lentamente repelo-me.
Estou cinzento!

Dor suada pelo piano
Que chora e devora
O balcão atafulhado de cinzento.
Mas que lamento...
Triste e metódico
Comprazo a barba
E cinicamente falando,
Sentado num banco,
Enamoro pessoas que
Entram e ficam
E ganho cor...



3 de dezembro de 2011

Escrita Inibida

Ontem escreveria poesia,
Mas o carvão gerou discórdia.
É como dita a profecia;
Lápis insano que rejeita concórdia.

As linhas gastas quebraram
E os dedos trocaram sentidos,
Que loucos poetas amaram...
Pobres poetas sempre perdidos.

Pobre escrita insaciante
Do louco que nada escreve.
Caminha triste e errante
Na vida que nunca teve.

Mas sorri quando me vê.
Sorri e acena p'ra mim,
Sorriso nitidamente infeliz.
Não sei qual o porquê...
Da sua escrita ter tido um fim,
Se a amava loucamente feliz.

10 de novembro de 2011

Querer erréneo

Persegui-te outrora,
Tinhas um vestido azul.
(Aquele que tanto gosto)
Não sei se era da lua,
Das estrelas,
Da noite ou
Do tempo.
Mas naquele fingimento
De admirar quem não me quer,
Senti um lamento.

E num etéreo prazer
Tive um pensamento:
Poderá o amor
No seu clamor
Dizer que ama com dor,
O querer usurpador?

Gritei!
Grito mudo!
E deludo a formusura
Que perdura,
Mas obtura
Ao de leve a curvatura
De andares
A olhar p'ra baixo.

22 de outubro de 2011

Conformação...


Se me encontro deprimido,
escrevo. Escrevo destroçado,
por viver amargurado
e em sossego inibido.

... Ó triste! O teu amargor
Quase em ti se desvanece
E tudo que te merece
Se desfaz em mágoa, em dor!

Por vezes queria ser forte,
Por outras desejo a morte.
Vendo nisso a solução.

Mas contenho meus anceios,
disfarço meus desvaneios...
Procuro conformação...!

13 de julho de 2011

Desafogo

Às vezes eu queria entender
o porquê deste viver amargurado.
É como tomar uma chávena de café
quente, que cheira bem
mas de sabor muito amargoso. Só posso ver
em todo esta ardilosa comédia,
um misto de insegurança e cobardia.
De que têm medo? O que há para além de toda a injustiça
e crueldade, em que se deixam envolver?
Fazem-me pena
aqueles, que vivem parados no tempo,
que deixam corroer as entranhas
dos mais míseros sentimentos.
Pobres deles que não amam
e nem querem ser amados.
Almas tacanhas,
denegridas sem o mínimo desejo
de ver mais além, de ultrapassar essa podridão
De que se acham corrompidos.

Amor revolto

Revoltas-te com o meu silêncio,
Que te sufoca com intensidade.
Esperas com alguma ansiedade
O som que tanto almejas.

Meu reflexo em ti permanece,
Revejo em teus olhos espelhados.
Teus gestos fortemente enfeitiçados
Por um passado que bem desejas.

Pois o que foi, não volta a ser.
Sumi, esquece, morri p’ra ti.
Tempos antigos me envolvi
Nessas palavras que cotejas.

Corações apaixonados, incontrolados,
Trituram tua inquietude, que outrora
Era calma por dentro e por fora.

Eu amei-te num passado, bem presente,
Sem pensar no tempo, sem pensar na hora,
Amei-te intensamente, desde o nascer da bela aurora.