1 de junho de 2011

Tempo que passa...

Os dias não passam.
A água estagnou,
A vida a parar
De negro vestida.
E o homem sentado
No tempo que passa,
Feliz esvoaça,
Dormindo acordado.

Vive embriagado,
Na droga embebido.
E como o leão,
Lança o seu rugido:
Eu sou o senhor!
Preciso mandar!
Vivo para impor,
Adoro matar
A esperança que nasce
Noutro coração
Que chama de irmão.

Mas não sente assim.
Palavras em vão,
Que vão, e que passa.
E o homem esvoaça
No tempo sentado.
Implanta a discórdia
Num ser magoado…
Nem tenta a concórdia,
Pois vive parado!

 
tempopassa

7 de maio de 2011

O Cavador

Alegre era o cavador!
Quando na enxada pegava,
E da terra ele arrancava…
O pão. O seu labor!

Nunca a sua mão tremia.
Quando a semente lançava…
À terra, donde tirava
O pão, que ele comia.

Já velho, o cavador.
Foi perdendo o vigor,
E a sua mão tremia!

E quando enfim parou!
O seu corpo tombou…
Na terra negra e fria!


27 de março de 2011

Tarde a dois

Sentei-me no divã torrado,
Que se encontra debaixo
Das escadas que vão
dar ao sótão.
Estava a ouvir-te tocar
Aquela música de Verão.
Sorris-te para mim, era
A nossa melodia.
Lembras-te?
Nunca me esquecerei
Daquela tarde,
Daquele dia.

No centro da sala
Reinava a mesa de madeira,
Com o cesto de flores secas.
Senti o rosto a rescaldar,
Corei!
Lembrei-me do que tinhas sussurrado:
“Vivo para ti, pois não há
Quem viva para mim!”
Abstraí-me das nossas frivolidades.

Caminhei ao teu encontro.
Não me fixas os olhos,
(como sempre)
Mas tremes ao ver-me
Aproximar.
Tinha o coração acelerado,
Que nem cavalo a galopar.
Sorri para ti!
Sorris-te para mim!
Emoções num intenso frenesim.

E nessa tarde…
E nesse dia…
Reencontrámos a forma mágica
De nos enamorarmos,
Sem gastar uma única palavra!
Com o olhar…
Com o sorrir…
Invadimos o mundo de cada.
E permaneci contigo…
Naquela sala…
Naquele divã…
A ouvir-te tocar!


12 de fevereiro de 2011

Cada pessoa... É um ser!

Cada pessoa, é uma história.
Uma vida, uma ilusão,
Um desgosto, uma promessa
Que se ateia, quando a pressa
De viver, já pouco vale.

É uma quimera.
Um sonho, sonhado a sós!
Ou a dois? Mas pouco interessa…
Ilusão que se repete
Quando a vida nos promete…
Ou que só fica em promessa!

Um sol fulgente, no meio
Duma escuridão, ou noite cálida
Em pleno inverno. É vento
A fustigar aquele corpo franzino,
Mirrado de tanto sofrer.

Cara alegre, rosto maduro,
Bonacheirão ou enigmático!
Cada pessoa tem um misto
De tudo, que envolve este pensar…e…
Do nada, que nem chega a falar!
Cada pessoa… É um ser!
Que passa; que vem, e que vai!
E que nasce p’ra morrer.
E até voltar… Quem sabe, se o merecer.


6 de fevereiro de 2011

Amor?!?!?

Ai o que oiço dizer
e não concordo.
Amor! Falam de amor,
e não sentem.
Amar. É dar-se a gente,
sem reservas, estar de acordo.
Mas assim só falar...
mas que absurdo.
Quando o coração insiste,
e surdo quer ficar.
Ai, mas se todos falam de amor,
e isto é falar.
Fazer algo de mais.
Dar-se a tudo e todos,
sem distinção.
Pois todos precisam receber.
E sem pensar em nós,
Dar...e esquecer!

21 de janeiro de 2011

Essa tua vida...

Essa tua expressão desconfiada.
Os teus membros cansados, doloridos.
Rescaldo desses dias mal vividos.
Descrevem tua vida amargurada.

Que tens formosa, bela criatura?
Que mostras um passado bem presente.
Que em teus verdes anos se ressente
E morta, vais vivendo em amargura!

Que o dia que passa, já não volta.
E quando olhas o espelho com revolta
Tuas rugas já cansadas de inquietude...

Na vida não encontras lenitivo.
Desse pecado morto e sempre vivo
Formosa e bela...em decrepitude!

22 de dezembro de 2010

Nada...e tudo!

Nada sou, e nada somos!
Nada valemos num mundo,
Tão cheio de maravilhas!
Onde o nada…é tão profundo!

Nada espero desta vida.
Nem me importam Ideais,
Que não sejam só de Amor!
Quanto ao resto…Nada mais!

Quão seria de sublime!
De etéreo…Quase irreal!
Sentirmos sempre alegria…
No que é bom…No que está mal!

Saber estar…Construindo,
À nossa volta amizade!...
Nada!...Para pensar em nós!
Mostrando boa vontade!

Numa doação total!
Trabalhar sem exigir…
Só aos outros poder dar…
Tudo!...Sem nada pedir!!!

15 de dezembro de 2010

Só tu sabes!

Pergunto-me! Respondo: Só tu sabes!

Pergunto-me se acreditas na absolvição?
Respondo que não existe nunca, mas existe não!
Só tu sabes!

Pergunto-me como recriar amizades?
Respondo que não confias em maldades!
Só tu sabes!

Pergunto-me se falas honestamente?
Respondo que sabes que falso, é quem mente!
Só tu sabes!

Pergunto-me como provar o amor?
Respondo que nada é tão forte sem sentir dor!
Só tu sabes!

Pergunto-me como vai ser no final?
Respondo que só o bem triunfará o mal!
Só tu sabes!


Só tu sabes a dor que causei!
Só tu sabes da forma que errei!
E perscrutando o meu ser,
Uniste-te ao meu saber!
Tenho receio de nunca triunfar.
Tenho receio da dor que vou roubar!

Só eu sei!
Que existe enormes equidades.
Só eu sei, e sei que sei!
Só tu sabes!



13 de dezembro de 2010

Reage...

…Insiste! Pede Luz!
Deita um olhar ao passado.
E não te lamentes!
Arranca o defeito
Que te domina!

A tua falta?...
Paga essa divida,
Que te tem feito chorar.
De dor!...
De dor de Amor!

Se és fiel no pouco,
Também o és no muito?

Reage!
Não percas a ocasião,
De rectificar
A tua vida!

Amanhã pode ser tarde…
Agora!
O ontem passou!
Escuta…
Alguém que to diz!
Agora! Reage!
E sê feliz!!!

7 de dezembro de 2010

Camélia em botão

Disposta num esbelto jarrão
Começa a ter côr, a ter vida.
Uma camélia em botão,
Ainda não colorida!

Botão que estava a morrer,
A fraquejar; botão que soçobrou!
É dificil compreender
Como a flor desabrochou!

Eram: Púrpura!...Vermelha!
As pétalas coruscantosas
E vislumbrei uma centelha,
de força; coragem.. Em flores tão mimosas!

E a esperança ressurgiu!
E numa força de um trovão
Quando a meus olhos floriu,
Velha camélia em botão!